Phragmipedium chapadense Campacci & Takase
    Marcos Antonio Campacci(*)
Roberto Takase (**)



Foto: Marcos Antonio Campacci


 
Diagnose Latina: Species haec Phragmipedium hartwegii (Rchb. f.) Pfitzer similis, sed difert semper floribus minoribus qui ille alter. Herba acaule; foliis 6-8 contemporaneis, distichis, coriaceis, loriformibus. Scapo erecto, pubescente, bracteis lanceolatis; superioribus latioribus et majoribus quam ovarium. Sepala superiore ovato-lanceolata, acuminata, 5,0-5,5 cm longa et 1,5-1,8 cm lata. Sinsepala lato-ovata, 4,5-4,8 cm longa et 3,2-3,4 cm lata. Petalae linear-lanceolatae, acutae, undulatae, 9,0 cm longae et 0,7-0,8 cm latae in bases. Labello calceolate, 5,0-5,2 cm longum et 2,4-2,5 cm latum; sacco latior qui ostium. Stamine sterili sub-eliptico, in marginibus pubescente in superiore et posteriore latere.



Typus: Brasil, próximo à cidade de Alto Paraíso de Goiás, estado de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, entre 700 e 900 m de altitude.

Holotypus: SP

Coletor: Divanir Ribeiro Ferreira, s/no. Floresceu em cultivo em março de 2000.

Etimologia: Nome dado com referência ao local onde foi encontrado, a Chapada dos Veadeiros.

Floração: Final do verão no Brasil.

Hábitat: Chapada dos Veadeiros, em campos e barrancos úmidos cobertos de vegetação rasteira.


Planta terrestre, acaule, com rizoma abreviado, raízes glabras, esbranquiçadas, rígidas, com cerca de 3,0 mm de diâmetro. Folhas dísticas, coriáceas, por cima levemente canaliculadas e no verso carenadas, atingindo até 50,0 a 60,0 cm de comprimento por 2,0 a 3,0 cm de largura, oblongo-lanceoladas, de cor verde escura na face e verde mais claro no verso, sem margens amareladas. Haste floral marrom de até 50,0 cm de altura, pilosa, dotada de brácteas carenadas no dorso e com ápice agudo, de cerca de 10,0 cm de comprimento, amplexas, de cor verde clara, com nervuras aparentes na sua superfície. Brácteas florais mais longas que o ovário, convolutas, atingindo 6,0 a 7,0 cm de comprimento, também de cor verde clara e com nervuras aparentes na sua superfície. Flores sucessivas, entre 3 e 5 no total, com aproximadamente 10,0 cm de envergadura em linha vertical e 13,0 cm em linha horizontal. Sépala dorsal ovo-lanceolada, com 5,0 a 5,5 cm de comprimento por 1,5 a 1,8 cm de largura, acuminada, de cor verde-amarelada, possuindo nervação de cor marrom, no dorso mais escura que a sinsépala, levemente arqueada em relação á base. Sinsépala largo-ovalada, da mesma cor que a sépala dorsal, no total medindo 4,5 a 4,8 cm de comprimento por 3,2 a 3,4 cm de largura, também com nervuras, porém mais escuras na borda, a qual é levemente ondulada. Pétalas linear-lanceoladas, bem mais longas que as sépalas, medindo 9,0 cm de comprimento por 0,7 a 0,8 cm de largura junto á base e estreitando-se para o ápice; mantendo-se posicionadas a aproximadamente 45º da linha horizontal. A cor das pétalas é verde clara no centro com margens avermelhadas, apresentando estrias longitudinais paralelas de cor ocre. Próximo da base são levemente onduladas e pilosas, com 1 ou 2 retorções na metade do seu comprimento; o ápice é piloso de cor avermelhada mais intensa.
Labelo saculiforme, mais longo que a sinsépala, no total medindo 5,0 a 5,2 cm de comprimento por 2,4 a 2,5 cm de largura, no geral obovóide, até o meio aberto, saco mais largo que o óstio, de cor ocre esverdeada. Nas dobras laterais do óstio possui duas protuberâncias salientes. Óstio estreito, verde pálido, pontilhado de marrom avermelhado, sem outras manchas acessórias. A união do óstio é de cor verde brilhante.
Estaminóide um tanto quanto elíptico, de 0,6 cm de comprimento por 1,0 cm de largura, verde brilhante, com pêlos atropurpúreos curtos e grossos em toda a sua parte superior até a coluna e apresentando as bordas externas fletidas para trás. Coluna de 0,4 a 0,5 cm de comprimento, pubescente.

 


Discussão:
Essa nova espécie foi sempre confundida pelos colecionadores com o Phragmipedium vittatum (Vell.) Rolfe, do qual difere em muitos pontos, desde o próprio porte da planta que é bem menor do que aquela espécie. As suas folhas não apresentam as bordas amareladas que são características do P. vittatum. A principal diferença diz respeito ao seu estaminóide que é bem maior que o do P. vittatum e tem a forma aproximadamente elíptica, enquanto que naquela espécie é nitidamente triangular. Suas pétalas não pendem para baixo como em P. vittatum, mas ficam em uma posição a 45° abaixo da linha horizontal. Além disso sua haste floral é sempre bem mais curta e mais escura do que a daquela espécie.
Quanto às suas flores, assemelham-se em parte com as de uma espécie do Equador, o Phragmipedium hartwegii (Rchb. f.) Pfitzer, na cor das pétalas, no óstio estreito, na forma das brácteas florais e na cor e forma do ovário. Entretanto as diferenças com relação àquela espécie são bem evidentes: em P. chapadense, a bolsa do labelo é mais larga que o óstio enquanto que em P. hartwegii as duas partes são iguais; o estaminóide do P. chapadense tem a forma elíptica e possui pelos pretos muito evidentes, enquanto que em P. hartwegii ele é subcordato, um pouco menor e os pelos não são evidentes, posicionando-se mais para trás. Outro ponto diz respeito à cor da bolsa que em P. chapadense é marrom enquanto que naquela espécie é esverdeada ou amarelada. Além disso tudo as plantas de P. hartwegii são bem maiores que as de P. chapadense.


Publicado em: Supplement n. 1 of the "Journal of Hokkaido Orchid Society - Vol. 28 - 2000"






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*) Rua Glória do Goitá, 86 - apto. Sândalo 3 -n 03222-010 - São Paulo - SP - Brasil
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: campacci@sili.com.br

(**) Rua Dr. Diogo de Faria, 1226 apto. 13 - 04037-004 - São Paulo - SP - Brasil
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